Um olhar sobre os casais…


A vida das pessoas mudou… A vida dos casais mudou…

E os sentimentos que unem os casais, também estarão a mudar?


Na China, nas cidades de Xian e de Dazhou, os pedidos de divórcio aumentaram significativamente após a quarentena. Na verdade, essa decisão pode ter sido adiada, porque os cartórios estiveram fechados e não necessariamente devido ao isolamento a que os casais estiveram sujeitos.


Ainda assim, ficar semanas fechado em casa com o(a) companheiro(a) pode retirar algum brilho à relação. O amor vive da admiração pelo outro e, mesmo para quem está junto há vários anos, alguma “dose de desconhecido” (do que o outro fez, com quem esteve) alimenta a relação e o desejo de estar com o outro.

Quando todas as horas são passadas em conjunto perde-se esse mistério e há o risco das frustrações de cada um, com o trabalho, o stress da pandemia, a gestão dos filhos (quando existem), serem descarregadas no outro. A relação fica “esmagada” no meio de tarefas de trabalho, tarefas domésticas e culpabilizações mútuas. Ou então vem o silêncio, não há conversas, para não haver discussões… E vêm as dúvidas sobre o amor do outro…


Mas será assim com todos os casais?

Felizmente não! Muitos relacionamentos sairão mais fortes e mais unidos destes tempos de quarentena. Se cada elemento do casal se permitir ouvir o que está a sentir, se se permitir partilhar com o outro as suas frustrações e os seus desejos... Se ambos conseguirem olhar para este momento das suas vidas como um momento de se redescobrirem.


Não há receitas mágicas! Cada casal tem a sua dinâmica e modo de funcionar, e o mais importante é que ambos se sintam felizes com aquilo que são na vida um do outro.

Mas não se esqueçam que o outro nem sempre consegue ouvir aquilo que não foi dito! Por vezes adivinha, é verdade, fruto de tantos momentos de vida em comum; mas outras vezes engana-se, ou não percebe, e criam-se mal entendidos, que podem ser confundidos com falta de amor.


E ninguém quer viver sem sentir que é amado! Como refere José Gameiro, terapeuta de casal, a relação conjugal sem amor passou a ser insuportável e a felicidade pessoal passa cada vez mais pelo sentimento de amar e ser amado.


Neste olhar que vos deixo, penso que a principal reflexão que cada um pode fazer é avaliar se, a par com o trabalho, filhos, tarefas, continua a existir espaço e tempo para o casal, para serem de facto um casal e fazerem algo que gostam em conjunto. O que fazem juntos não é o mais importante, a questão é, se em tempos de isolamento, continuam a sentir que há um “nós”...

Se não sentem, então o que podem fazer para melhorar? É sempre possível recuperar aquilo em que se acredita.

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