Ser autocompassivo

A compaixão é descrita como a sensibilidade para a compreensão do sofrimento do eu/outro e o profundo compromisso com a tentativa e desejo de o aliviar.


Todos nós somos produto da evolução e da adaptação. Não escolhemos o meio em que estamos inseridos, nem tão pouco as vivências que fazem parte da nossa história. O ser humano evoluiu para lidar com as ameaças e perigos inerentes ao facto de estar vivo. Neste sentido, precisamos de um conjunto de atribuições e de ativações que nos permitam preparar para lidar com a ameaça e com os contextos de perigo. Estas estratégias podem muita vezes sabotar-nos e criar-nos a sensação de encurralamento em nós próprios.


Em primeiro lugar, importa referir que o sofrimento é um dado garantido na vida de todos nós. Todos sofremos e viver envolve o contacto com situações difíceis. Todos nós fazemos o melhor que podemos e sabemos. Assim, muito do que o nosso cérebro produz não é da nossa responsabilidade, é automático e é uma resposta de sobrevivência.


É fácil ouvir os desafios dos outros, confrontarmo-nos com o sofrimento alheio e produzir um conjunto de verbalizações e comportamentos na ótica de tranquilizar e apaziguar quem temos ao nosso lado. Díficil e desafiante é fazer o mesmo connosco próprios. Estarmos em profundo sofrimento e conseguirmos dar-nos afeto, bondade, calor e aceitação.


Como podemos treinar a nossa mente para que sejamos mais autocompassivos?


Compreender empaticamente e não criticar

Ser empático connosco próprios, preocuparmo-nos com o próprio bem-estar e sofrimento. Tentar perceber a origem do mesmo, e aliviá-lo como for possível. Evitar a crítica, nós não escolhemos as circunstâncias e muito menos escolhemos sofrer.


Tolerância ao desconforto

Aceitar que nem todo o sofrimento pode ser anulado ou controlado e, por isso, podemos apenas torná-lo mais acessível e tolerável. Todas as emoções são necessárias e têm uma função. Faz parte do reportório de cada um exprimi-las e vivenciá-las sempre que estas são contingentes ao contexto.


Humanidade comum

Perceber que todos sofremos. que o desafio de viver é isso mesmo: depararmo-nos e ultrapassarmos obstáculos, aceitando o que eles nos trazem. Lembrarmo-nos que estamos todos no mesmo barco e o que muda é a capacidade de nos relacionarmos com os nossos problemas e connosco próprios.


Ser autocompassivo

Tranquilizarmo-nos, olhar para nós e perceber o que estamos a sentir. Não ajuizar, não criticar e tolerar o momento. Estar no aqui e agora e tentar encontrar estratégias de aliviar o momento vivido.



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