Psicoterapia - trabalhar na relação



Porque é que alguém se torna psicoterapeuta? O que leva alguém a querer trabalhar em Psicoterapia?

Bom, independentemente da área em que o psicoterapeuta trabalha, o retorno financeiro nunca é para enriquecer, como fala Barry Duncan, num artigo sobre este assunto. Depois, estamos expostos a frustração, sofrimento humano e ansiedade, com o peso que isso acarreta. Para somar a isto, muitas pessoas não sabem o que é a psicoterapia ou o que fazemos e ainda existe para muitos o estigma associado à ideia de que a psicologia é “para malucos”.

Num estudo realizado em 2005, percebeu-se que os profissionais que se especializam em psicoterapia não o fazem pelas recompensas financeiras ou pela progressão na carreira. Fazem-nos pelo valor da conecção profunda com as pessoas e pela ajuda que promovem junto dessas pessoas.

No meu caso, a ligação que estabeleço com os clientes ajudando-os a mudar, melhorar, crescer é o combustível. Terminar um dia de trabalho com a sensação de preenchimento e conforto, apesar de muitas vezes as histórias serem desconfortáveis ou difíceis. Para isso é importante a ligação pessoal, empatia, sentimento de eficácia e capacidade para lidar de forma construtiva com as dificuldades.

Nesta profissão mantenho um constante desejo de crescimento, aprendizagem e um crescimento profissional, quer através de leituras, formações, workshops, quer através da troca de experiências com colegas e outros técnicos, mas também através da relação com os clientes com quem trabalho.

Ser psicoterapeuta implica desenvolver competências fundamentais como a aceitação, autenticidade, auto-confiança, flexibilidade, interesse, comprometimento. A terapia serve de lugar seguro onde o cliente pode ser genuíno e revelar-se, onde o cliente experiencia ser aceite e compreendido numa relação íntima saudável. A relação psicoterapêutica entre as pessoas envolvidas na terapia é fundamental e o alicerce da mudança, a espinha dorsal da terapia. Em qualquer relação, para que se possa considerar saudável, o respeito e a consideração são fundamentais.

Para que a relação possa ser eficaz são necessários vários fatores. É preciso observar, ouvir e procurar compreender o que o outro tem para nos dizer. Quando as duas partes se compreendem está estabelecida a relação (Rogers, 1991). As características pessoais das pessoas envolvidas na terapia fazem daquela relação única e particular.

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