Psicoterapia... Como sei que está a resultar?

Contrariamente ao que muitos desejam, fazer psicoterapia não é como as terapêuticas comuns, à base de antibióticos ou anti-inflamatórios, que ao final de uns dias, surtem efeito e as melhorias são claras.

A psicoterapia é um processo lento. É, por isso, necessário aceitar que, pela sua complexidade, será sempre um processo de mudanças e retrocessos. Até haver estabilidade nos ganhos, as pessoas podem desistir e abandonar a psicoterapia. Aí, sim, têm a garantia de que não resulta, nada muda, tudo se mantém.

Mas, afinal, como podemos saber se a psicoterapia está a resultar?

Não há, efetivamente, uma checklist que possamos verificar para responder a esta pergunta.

Mas existe a possibilidade de reconhecer um conjunto de melhorias que nos podem ajudar a perceber o que resulta.


1. Mudanças, mesmo que pequenas

É suposto que, ainda que a mudança não seja fácil, ao final de algum tempo, comecemos a identificar alterações concretas na nossa vida. Quem frequentemente nos procura, procura também respostas, alívio do sofrimento, novas aprendizagens, auto-conhecimento, etc. Portanto, ao longo da terapia, podemos identificar ganhos revendo os objetivos inicialmente definidos. Se consegue gerir melhor as emoções (ainda que não deixe de estar triste ou ansioso), então já é um ganho. Se passou a andar de metro (ainda que continue a evitar outros contextos), então já uma mudança. Se veio deprimido e deixou de investir em si, mas agora regressou, por exemplo, à prática de exercício físico, então é uma melhoria. Podem ser pequenos, mas não deixam de ser degraus que subimos na direção desejada.


2. Expetativas realistas

Iniciar a terapia exige definição de metas. Por isso, elas devem ser congruentes com os seus objetivos e valores mas deverão, sobretudo, ser compatíveis com a realidade e circunstâncias em que se encontra. Se definir metas irrealistas ou muito difíceis de alcançar, certamente irá acabar por se sentir frustrado e descrente no próprio processo. Por isso, cabe-nos perceber e avaliar todas as hipóteses, definindo um percurso exequível e vantajoso para si.


3. Desconforto q.b ao longo das consultas

A mudança é ameaçadora e pode ser muito dolorosa. Por isso, em muitas consultas haverá espaço para o desconforto, lágrimas e sofrimento. A auto-descoberta, a abertura a experiências de vida difíceis, a desconstrução e resignificação de determinados acontecimentos pode trazer dor, mas é na experiência dessa dor que é possível crescer, mudar e desenvolver.

No entanto, não será funcional que, sistematicamente, as pessoas saiam das consultas em situação de maior vulnerabilidade ou cansaço emocional. Há-que encontrar um equilíbrio e é expectável que, ao longo das sessões, haja um aumento de bem-estar, de esperança e de resultados.


4. "Sou o elemento ativo do processo"

Costumo dizer que o terapeuta assume o papel de mediador no processo terapêutico. E, se assim é, o cliente assume um outro papel fulcral durante toda a mudança. É de si que parte a iniciativa e, é por si, que ela passa. Por isso, se não sentir que é o elemento ativo, não espere grandes resultados. A mudança vem da necessidade e a necessidade faz a mudança.





A terapia é um processo a dois. Uma descoberta que se faz em conjunto. Devemos alinhar-nos com quem nos procura, mediando todos os fatores: pessoa - circunstâncias - objetivos.

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