O meu filho não fala fora de casa.

Atualizado: 23 de Mai de 2019



Por vezes deparamo-nos com crianças agarradas às pernas dos pais, escondendo a cara enquanto são bombardeadas por estímulos e questões: “Olá bebé”, “então não me dás um beijinho”, “dá lá um beijinho”, “ai, tão envergonhada/o…”, “dá um beijinho”,….


Neste artigo vamos ensinar a todos os que já passaram por situações semelhantes como lidar com elas, e o que é que os pais podem fazer para preparar melhor os filhos para as interações sociais.


Há crianças que simplesmente não interagem com ninguém para além do núcleo familiar mais próximo, demonstram incapacidade de falar em situações sociais especificas em que se espera que falem apesar de o fazer noutras situações. Tal reação tende a interferir com outros contextos: por exemplo o rendimento escolar (pelo facto de não responder à professora, tornando difícil avaliar as suas capacidades, ou não conversar ou brincar com os colegas).

Quando estes comportamentos se tornam um padrão e duram há mais de 1 mês será uma indicação de que se deve procurar ajuda profissional na área da Psicologia.


Estas crianças não iniciam o discurso ou não respondem quando lhes falam em situações sociais, sejam elas com adultos ou outras crianças. Contudo Falam nas suas casas na presença de membros da família mais próxima. É possível verificar a existência de uma marcada ansiedade, podendo interferir na sua aptidão de criar amizades e de se desenvolver a nível social.


Que comportamentos podemos observar nessas situações? Alterações corporais, tais como, o aumento da sudação, da rigidez muscular, da frequência respiratória e cardíaca. Após a situação, podem surgir as dores de cabeça, de barriga, vontade de ir várias vezes à casa de banho. Por outro lado, alterações comportamentais, como roer as unhas, cobrir/esconder a cara, levar o vestuário à boca, balançar as pernas ou o corpo, tiques, entre outras.


Porque surge?

A aprendizagem deste medo desproporcionado de falar nas crianças, tem em muito a ver com o comportamento dos adultos que as rodeiam. Temos de perceber que os filhos utilizam os pais para aprender sobre o mundo, sendo que desde os primeiros meses, aos serem confrontados com situações novas eles tendem a olhar para a reação dos seus pais para terem uma referência de como agir. Por isso mesmo, pais ansiosos ou tímidos que evitem situações sociais, ensinam aos seus filhos, inconscientemente, que é a forma certa de agir.

Por outro lado, as elevadas expectativas em relação às crianças, a punição, as correções de todas as suas falhas podem contribuir para o desenvolvimento de ansiedade e falta de confiança o que leva ao surgimento deste problema psicológico.


Aos pais sugere-se:

· Estimular a comunicação, principalmente nos primeiros anos de vida, ensinando a criança a expressar-se nas diferentes situações sociais;

· Dar responsabilidade: ao vestir-se, lavar os dentes, por a mesa, arrumar o quarto,…, reforçando sempre o bom desempenho;

· Evitar a critica: "não tens vergonha?”, “és sempre o mesmo”, “nunca falas";

· Evitar falar deste problema à frente da criança;

· Não castigar, nem obrigar a criança a falar quando esta se recusa, nem a cumprimentar quando ela não quer;

· Não permitir que comunique sussurrando ao ouvido;

· Ser paciente e quando o seu filho falar, não termine as suas frases, de modo a evitar uma excessiva dependência;

· Transmitir sempre tranquilidade e segurança, mas não a superproteger.


É importante perceber que este medo não é só um capricho da criança e que é causador de um grande sofrimento emocional e pessoal e por isso mesmo, perceber que estas crianças necessitam de ajuda especializada para reverter esta forma de resposta para que o silêncio, a ansiedade e falta de confiança não prejudiquem o seu bom desenvolvimento.

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