“O dedinho traquina”: como gerir o uso das tecnologias na infância



O uso de tablets e smartphones tornou-se uma rotina comum na vida da maior parte das crianças. Desde muito pequenas e, mesmo sem saberem ler, as crianças conseguem escolher sozinhas, filmes para assistir, jogos ou ver fotos.

As opiniões sobre o uso destes aparelhos não são consensuais; há autores que consideram não haver provas de que o uso seja prejudicial, enquanto outros acreditam que não há benefícios em crianças muito pequenas e, pode mesmo, ser negativo.

Mas todos alertam que os pais devem estar atentos à quantidade de horas e reforçam a importância de não substituir atividades físicas e mentais ou o tempo com a família, pelos aparelhos.

Navegar demasiado tempo num tablet ou smartphone retira as crianças do seu elemento natural: brincar, interagir com amigos e adultos ao vivo e usar brinquedos comuns que não sejam digitais.

Também os pais devem considerar o seu próprio uso de tablets e smartphones, para que a utilização não seja excessiva e afete a vida quotidiana entre pais e filhos.


Por que se deve limitar o acesso das crianças aos smartphones ou tablets?

1 – Desenvolvimento cerebral das crianças

Os cérebros dos bebés crescem muito rapidamente nos primeiros anos de vida e, neste período, os estímulos do ambiente — ou a falta deles — são muito importantes para determinar o quão eficiente será o desenvolvimento cerebral. Alguns estudos mostram que o uso em demasia destes aparelhos, pode ser prejudicial e causar défice de atenção (graças à grande velocidade dos seus conteúdos), problemas de aprendizagem, aumento de impulsividade e diminuição na capacidade de regulação das emoções (birras).


2 – Obesidade infantil

O sedentarismo que implica o uso das tecnologias favorece a obesidade. Obesidade leva a problemas de saúde como diabetes, problemas vasculares e cardíacos.


3 – Alterações do sono

Algumas crianças usam estes aparelhos em quaisquer horários, o que pode fazer com que durmam menos do que deveriam. A falta de sono afetará negativamente o seu rendimento escolar. A falta de sono noturno pode causar problemas de crescimento.


4 – Doença mental

Alguns estudos comprovam que o uso excessivo das novas tecnologias está a contribuir para o aumento da depressão e ansiedade infantil, distúrbios do processo de vinculação entre pais e filhos, défice de atenção, problemas de comportamento, entre outros.


5 – Diminuição da capacidade de relação

Muitos especialistas concordam que ficar horas “preso” ao smartphone ou tablet é prejudicial ao desenvolvimento das crianças, que tendem a tornar-se mais passivas e a não saber interagir ou ter contacto físico com outras pessoas. Defendem portanto, que as novas tecnologias podem fazer parte da vida das crianças, mas não devem substituir a leitura de um livro ou o tempo de brincadeira com irmãos, pais e amigos.


Naturalmente, por estarmos inseridos num contexto onde o uso de tablets e smartphones se tornou usual, é difícil bloquear completamente o seu acesso às crianças. E usar estes aparelhos como aliados à educação pode ser uma saída interessante, mas sempre evitando os excessos e a exposição a conteúdos agressivos.

O seu uso deve ser monitorizado pelos pais e, tanto mais curto, quanto mais nova é a criança. Nada é mais importante para as crianças do que passar tempo com os seus pais e com as pessoas que cuidam delas. Se o uso do tablet as afasta disso, torna-se prejudicial.

Manter o diálogo e investir em atividades familiares, incentivando a prática do desporto e programas culturais, é a melhor forma de ajudar os mais pequenos a não se tornarem dependentes da tecnologia.

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