O bebé comunica desde a barriga da mãe!



Desde cedo que o bebé tem a capacidade de ouvir os sons do mundo que o rodeia, como a voz da mãe e do pai, dos irmãos, dos avós e outros barulhos do exterior. Ainda, na barriga, este reage aos sons, mexendo-se e dando pontapés como resposta à produção ouvida. Inicia-se dessa forma, relação entre o feto e os seus pais e familiares, que é mantida ao longo da gestação através de conversas, sorrisos, expressões corporais e, nalguns casos, pela música.

Aproveito para explorar um pouco o conceito de música, no sentido que se define como uma manifestação artística e estética, sendo considerada uma “arte afetiva baseada em sentimentos”. Os seus estímulos têm um efeito positivo no desenvolvimento fonológico nas crianças, ainda no meio intrauterino, visto que lhes confere a possibilidade perceberem os sons desde o quinto mês de vida. Nesse sentido, destaca-se a afirmação de Tomatis e Maudale (2007) que referem que a audição influencia em muito o movimento, a linguagem e a aprendizagem da criança.

Centrando-me novamente no tema, será que de facto o bebé comunica desde cedo? E de que forma transmite essa mensagem?

Todos os bebés passam por uma fase vocal (pré-linguística), composta por várias expressões faciais, mímica e vários sons, não sendo estes ainda, intencionais e por uma fase verbal é (linguística), em que o bebé produz pequenas sílabas com significado, sabendo o que querem comunicar.

Em toda a minha prática profissional, afirmo que cada criança é única, sendo que cada um tem o seu tempo, sendo as etapas comunicacionais inserem uma idade média.

Etapas /Produções do bebé


Mensagens transmitidas

Choro

Fome; dor, desconforto, atenção, sono.

Este varia a nível de:

Ritmo (contínuo ou com pausas);

Duração (pouco ou muito tempo)

Intensidade (forte ou fraco)

Nesta fase, o bebé produz variados “ruídos fisiológicos” como o sugar e engolir, arrotar, soluçar, espirrar e suspirar.

Entre o 1 e os 2 meses


Exprime-se através de risos, sons guturais (sons de garganta ou vogais.

Aparecimento do sorriso social e intencional (dirigido a situações e a pessoas), manifestando a sua satisfação. Este é fundamental para o desenvolvimento da sua comunicação.

4 Meses


Iniciam-se os primeiros diálogos, as conversas, o palreio, a mímica, o contato ocular, a proximidade física, diferenças entre frequência e intensidade. inicia-se a fase do “tomar a vez” ou seja das alternativas de turnos conversacionais que indicam ao bebé quando e necessário esperar.

Nesta fase o bebé ainda não compreende a frase falada, apenas os elementos de entoação que indicam se a por exemplo a mãe está zangada ou não.

Entre os 4 e os 8 meses


Exploração da boca e dos movimentos dos articuladores (bochechas, lábios, língua);

Começam as brincadeiras vocais; bolhas de saliva; vibração dos lábios; clics na garganta;

Nesta fase, o bebé explora os objetos com a boca e existe um treino diário de todos os sons universais só pelo prazer de os testar e praticar. Repete sons, sílabas produzidas pelo outro.

Aos 6 meses


Aparece o Balbucio que é quando o bebé inicia uma conversa sozinho (“mamamama”; “gugugugu”) durante algum tempo seguido. Nessa altura, este já tem controlo da sua boca e dos articuladores, estando apto para produzir novos sons.

Aos 8 meses


O bebé já adquiriu todas as competências básicas necessárias à função de comunicação, de interação e de estabelecimento de um diálogo.

A partir dessa fase a comunicação vocal torna-se uma comunicação linguística, ou seja com uma mensagem com um conteúdo e um significado.

Aos 12 meses


O bebé começa a produzir as primeiras palavras, sendo as rotinas diárias fundamentais para a sua aprendizagem.

Será que o seu bebé, apesar de revelar características individuais e únicas, comunica de acordo com os marcos de desenvolvimento comunicacional? Dessa forma, observem o quadro abaixo dos sinais de alerta no âmbito do Desenvolvimento da comunicação.

Sinais de alerta no Desenvolvimento da Comunicação

0-2 Meses


Não reage aos sons e ao meio. É demasiado irritável ou sonolento

2-4 Meses


Não sorri, não discrimina vozes familiares, chora e grita sempre que se lhe toca

4-6 Meses


Falta de interesse pelas pessoas e pelos objetos; Não localiza ou deteta um som; Não vocaliza ou deixa de emitir sons

6-8 Meses


Não faz trocas, diálogos, conversas, balbucio ou vocaliza de modo monótono; não faz ou não mantém contato ocular

8-12 Meses


Apenas compreende a linguagem acompanhada de gestos; não compreende gestos como o adeus para ir embora; Não responde ao nome; não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedido; Não imita ações e sons familiares; Vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara; Não balbucia ou não usa consoantes; Não usa gestos para comunicar.

Desenvolver a comunicação harmoniosa no bebé é um pré-requisito fundamental para promover o desenvolvimento da Fala e da Linguagem. As alterações existentes podem dever-se à não estimulação comunicacional por parte dos familiares ou cuidadores, ou a fatores relacionados com dificuldades nas capacidades cognitivas, motoras, sensoriais, relacionais e sociais. Dentro destas dificuldades poderão existir variados graus de gravidade, originando dificuldades comunicativas que variam de ligeiras a profundas.

Nesse sentido, e na presença das dificuldades mencionadas anteriormente, torna-se importante um despiste a nível auditivo, visual, cognitivo e neurológico a fim de verificar a presenta de alterações ou lesões que possam justificar a problemática. De uma forma complementar, deverá existir uma avaliação pormenorizada e objetiva por parte de um Terapeuta da Fala a fim de definir um plano terapêutico para ser implementado o mais precocemente, a fim de minimizar e/ou eliminar as dificuldades de comunicação da criança.


Lisboa, 17 de Agosto de 2018

Terapeuta da Fala, Ana Rita Botelho

Cédula profissional nº C-042240182







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