Disfluência fisiológica ?Gaguez? Conheça os sinais de alerta e estratégias para cuidadores

Atualizado: Ago 21

A disfluência que também é conhecida como Gaguez é um problema de comunicação e expressão, que resulta na interrupção da sequência da fala.

A disfluência fisiológica ou de desenvolvimento, tal como o próprio nome indica pode ocorrer ao longo do desenvolvimento da produção de uma criança. As exigências do meio são muito superiores às suas capacidades comunicativas da crianças. Partindo deste pressuposto, numa tentativa de comunicar as suas ideias, de maneira mais complexa, as crianças podem apresentar dificuldades na produção de sons; alterações leves do tipo repetições, pausas ou silêncios prolongados; lacunas no vocabulário; défice na evocação ou dificuldade em construir frases. Estas dificuldades podem gerar alguma a ansiedade e agravar a problemática .A frequência das disfluências poderá aumentar por dias ou semanas e, depois quase desaparecer durante semanas ou meses, voltando novamente mais tarde.


Os fatores de risco abaixo identificados poderão representar a possibilidade de evolução para uma gaguez crónica. No entanto, até agora, nenhum dos factores de risco, por si só, parece ser suficiente para indiciar um problema crónico. É a natureza acumulativa ou aditiva destes factores, que parece diferenciar a disfluência fisiológica, que tende a desaparecer, da gaguez.



História Familiar: Dificuldades de Linguagem e/ou articulação e/ou fluência;

Idade: Aparecimento de disfluência a partir dos 3 anos e meio, sendo que antes desta idade existe maior recuperação espontânea;

Género: Masculino, sendo que o género feminino revela maior hipótese de revelar recuperação espontânea.

Fala e Linguagem: Presença de alterações nestas áreas ;

Velocidade e Intensidade: Fala rápida e com a


umento de intensidade;

Tensão Muscular: Tensão muscular ou "tiques" durante a fala;

Comportamento da criança: Timidez, insegurança relacionados com medos e receios de comunicar.


Ter em atenção:

  1. Se a criança gagueja há mais de 6 meses/1 ano;

  2. Revelar 1 ou mais fatores de risco mencionados anteriormente

  3. Caráter cíclico

  4. Conduta de afirmação direta da gaguez por parte da criança e/ou familiares





Orientações e Estratégias

§ Olhe para o seu filho enquanto ele fala consigo;

§ Mostre interesse, valorizando o que ele tem para dizer e não só a forma como o faz;

§ Não interrompa, nem complete


as suas palavras e frases;

§ Aceite um certo nível de disfluência no discurso;

§ Evite comentários como “tem calma e fala devagar”, “pensa antes de falar”, “espera até conseguires dizer”. Com estes pedidos estamos muitas vezes a tentar sugerir à criança uma forma mais fácil de falar. No entanto, o seu filho nem sempre é capaz de o fazer. Por outro lado, ele pode senti-los como uma crítica negativa à forma como fala;

§ Sirva de modelo ao seu filho falando de forma lenta e descontraída. Poderá também ler para ele de uma forma relaxada;

§ Controle as suas reacções: expressões de desagrado ou preocupação; suspiros; movimentos dos dedos revelando stress, riso, etc. Procure agir do mesmo modo caso ele esteja a falar de forma fluente ou disfluente;

§ Encoraje-o a falar frequentemente, mas não o obrigue a conversar com estranhos caso ele não queira;

§ Mantenha-o saudável, prestando atenção à sua alimentação e ciclos de sono. Não podemos atribuir os momentos de maior ou m


enor disfluência apenas a factores emocionais. O funcionamento do sistema nervoso altera-se em função de condições como a doença ou fadiga;

§ Não o super proteja. Use a mesma disciplina como com qualquer outra criança;

§ Ajude-o a desenvolver trabalhos construtivos e passatempos. Leia-lhe histórias, comente o que vê na televisão, fale de coisas que lhe interessam;

§ Promova a sua auto-confiança, reforçando-o por tudo aquilo que ele faz bem. Nas situações de fala reforce aquilo que ele diz e não a forma como o diz. A ausência de períodos disfluentes não deverá ser reforçada uma vez que estaremos a chamar a atenção para a mesma, criando-lhe mais responsabilidade em situações futuras de fala;

§ Fale abertamente sobre a disfluência se ele assim o desejar, mas não faça disso um grande problema;



§ Se o seu filho atravessa um período de grande disfluência proporcione-lhe experiências positivas de fala tais como canto, recitação de poemas ou rimas, fala com ritmo, imitação de vozes, fantoches, entre outros.


Caso observe a presença de pelo menos três fatores de risco, revelando continuidade e evolução clínica, procure um terapeuta da fala, de forma a avaliar de forma pormenorizada a fluência do seu filho e em conjunto poderem colmatar as suas dificuldades comunicativas.


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