Co-dependência - Amar, mas a que custo?

Já ouviu falar de amor, das suas alegrias e das suas dores. Contudo, é possível confundir amor com situações disfuncionais e padrões obsessivos que nos dão uma falsa sensação de segurança e afeto e que podem custar-nos a nossa autoestima e até identidade.


A Co-dependência consiste num padrão relacional disfuncional no qual uma pessoa só se sente útil, feliz, valorizada e confiante através de outra. Por não ser capaz de desenvolver relações saudáveis, esta acaba por definir o outro como o seu principal foco, procurando controlar o seu comportamento.

Tudo começa quando uma pessoa se relaciona com outra que adota padrões de comportamento disfuncionais ou auto-destrutivos e aparenta precisar de apoio (um parceiro deprimido ou um pai alcoólico). A base das dificuldades relacionais está no co-dependente, ao permitir que o comportamento do outro o afete. Assim, desenvolvem-se hábitos não saudáveis que tendem a ser feitos em excesso. Esta acaba por ser uma forma disfuncional de ajudar o outro, facilitando os seus comportamentos de auto-vitimização e destruição. Por outro lado, tende a anular a identidade do próprio e a alimentar uma baixa autoestima e uma procura constante de validação.

A Co-dependência pode ser despoletada por um dos membros da relação ou pelos dois, podendo por vezes ser pouco notória e noutras conduzir a um desgaste da relação e até a situações de abuso físico e emocional. Frequentemente, o co-dependente tem dificuldades em definir a própria identidade e identificar as suas necessidades, desejos e emoções, acabando por sentir uma dependência afetiva. Muitas vezes, este padrão cria dificuldades relacionais e pode contribuir para quadros de ansiedade, dificuldades emocionais e mudanças de humor. Existe ainda a necessidade constante de se sentir amado/a e valorizado/a, que apenas é alcançada temporariamente, levando ao desgaste emocional e da própria relação. Pessoas envolvidas neste padrão relacional podem ter ciúmes incontroláveis e comportamentos obsessivos e agressivos. Por outro lado, sentem dificuldades em reconhecer e receber amor genuíno, por temerem a intimidade e a partilha de sentimentos.


Assim, pessoas co-dependentes tendem a:

- Considerar-se e sentir-se responsáveis pelos outros e pelo seu bem-estar, antecipando as suas necessidades;

- Sentir ansiedade, pena e culpa quando os outros têm um problema;

- Sentirem-se compelidos, quase forçados a ajudar os outros a resolver problemas e posteriormente zangados se a sua ajuda não foi útil;

- Questionar porque é que os outros não fazem o mesmo por eles, sentindo-se tristes porque não recebem na mesma medida em que dão;

- Dizer “sim” quando querem dizer “não” e tentar agradar aos outros em vez de eles próprios;

- Sentir-se atraídos por pessoas carentes e inúteis quando não têm um problema para resolver ou alguém para ajudar.


Padrões de relacionamento co-dependentes podem causar desgaste emocional e sofrimento, sendo importante identificá-los e procurar quebrá-los, se necessário com a ajuda de um profissional. Todos os relacionamentos vivenciam dificuldades e momentos de crise e nem todas as formas de apoio e altruísmo são problemáticas. Assim, é crucial estar aberto à reflexão, mudança e crescimento de forma a construir relações saudáveis e com base no amor genuíno.


Jessica Condeixa

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