A Obesidade e o Seu Impacto Psicológico

A alimentação é um aspeto central da vida humana uma vez que ela é básica para a sobrevivência, estrutura o nosso dia, faz parte de rituais familiares, vida social e celebrações e também pode ser fonte de prazer e gestão de stress.  O ideal é que a mesma possa ser equilibrada, mas nem sempre isto acontece…


A obesidade constituiu-se como uma doença perigosa, que ameaça a saúde porque se verifica uma acumulação excessiva de gordura capaz de produzir ou agravar outras doenças, nomeadamente cardiovasculares, metabólicas, pulmonares, entre outras. As causas para esta doença são diversas como por exemplo padrões de comportamento alimentar com elevado consumo de calorias (açúcares e gorduras), dietas pouco ricas em cereais completos, hortaliças e frutos, sedentarismo ou mesmo fatores genéticos, culturais, psicológicos e hormonais.


Na Europa, 20% da população é obesa e em Portugal 50% dos adultos apresentam excesso de peso, sendo 15% obesos. Trata-se por isso de uma problemática de tratamento urgente, havendo muitas das vezes necessidade de recorrer a equipas multidisciplinares que contemplem um programa alimentar, exercício físico e intervenção psicológica.


Em consulta, verifico muitas vezes que a Pessoa com excesso de peso ou obesidade apresenta baixa auto-estima, insatisfação com o seu corpo, irritabilidade ou alterações súbitas de comportamento, sintomas depressivos como tristeza, desamparo e culpa, ansiedade com eventual ingestão compulsiva de alimentos, dificuldades afetivas (e.g. desenvolvimento sexual reprimido), dificuldades de concentração, discriminação ou rejeição social, restrições em atividades sociais, dificuldades na procura de emprego, etc.


Ter acompanhamento psicológico poderá ser um auxílio importante num processo que se revela exigente, mas muito vantajoso já que se assiste a uma melhoria da saúde em geral, condição psicológica e qualidade de vida e diminuição de doenças crónicas associadas e risco de mortalidade. Ao longo do processo terapêutico, assiste-se a uma mudança de atitudes sobre a valorização da sua saúde, bem como de comportamentos e crenças disfuncionais associados, há um maior auto-controlo e a Pessoa passa a ter estratégias comportamentais e cognitivas facilitadoras de um estilo de vida mais saudável. A colaboração com a família é também importante no sentido de facilitar atitudes educativas promotoras de estilo de vida saudável.


Perder peso não se trata só de perder gordura! Há um processo motivacional, comportamental, cognitivo e emocional implícito que pode e deve ser trabalho no sentido de reforçar e prolongar os efeitos da mudança.


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